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Abuso de menor

Em Sinop, 99 crianças e adolescentes foram abusadas sexualmente em 2020

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Em Sinop, 99 crianças e adolescentes foram abusadas sexualmente em 2020
? Foto: Foto: Divulgação

A cada 3 dias, uma criança ou um adolescente é violentado sexualmente na cidade de Sinop. Essa é a média das ocorrências de abuso sexual registrados pela Polícia Civil no município entre janeiro e outubro de 2020. Nesse intervalo, 99 pessoas com menos de 18 anos foram vítimas de algum tipo de crime de cunho sexual.

O estupro de vulnerável é a ocorrência mais comum. Esse tipo de crime se configura quando a violência sexual é praticada contra uma pessoa com menos de 14 anos. Em 2020, foram 64 casos de estupro de vulnerável. No mesmo período do ano passado, a Polícia Civil registrou 45 ocorrências dessa natureza – o que mostra um crescimento na ordem de 42% nos casos de estupro de vulnerável no município.

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Ainda foram registrados outros 9 casos de estupro (com as vítimas entre 15 e 18 anos) e 6 casos de aliciamento de crianças. A polícia também registrou 3 casos de prostituição infantil e 2 casos de exploração sexual.

Outros crimes sexuais de menor potencial lesivo também foram observados. Foram 11 casos de importunação sexual e 4 casos de assédio.

Nessa conta estão apenas os crimes sexuais cometidos contra menores de idade.

Quase 5 vítimas por dia

Em Mato Grosso, entre janeiro e outubro de 2020, a polícia civil registrou 1.432 crimes sexuais contra vítimas com menos de 18 anos. Em média, são 4,77 casos por dia. Sinop responde por 7% de todos esses crimes.

Quase dois terços desses crimes são estupros de vulnerável – quando a vítima tem menos de 14 anos. Foram 943 ocorrências dessa natureza em todo Estado.

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública apontam ainda 180 estupros no período a adolescentes com menos de 18 anos e 60 casos de aliciamento de crianças. A polícia também constatou 19 casos de exploração sexual e 9 casos de prostituição infantil.

No período também ocorreram 102 assédios, 91 casos de importunação sexual e 22 casos de atos obscenos.

Também houveram registros de abusadores que produziram conteúdo de cunho pornográfico com menores de idade. Foram 3 casos de registro de cena de conteúdo erótico sem autorização e 3 casos de divulgação de cena de estupro.

 

Como denunciar casos de abuso infantil

– Disque 100: Qualquer cidadão pode fazer uma denúncia anônima sobre casos abuso infantil pelo Disque 100. A denúncia será analisada e encaminhada aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, respeitando as competências de cada órgão.

– Aplicativo Proteja Brasil: Aplicativo gratuito para celular que registra a denúncia na mesma central de atendimento do Disque 100.

– Conselho Tutelar: responsável pelo atendimento de crianças e adolescentes ameaçados ou violados em seus direitos. Pode aplicar medidas com força de lei. A denúncia pode ser feita por telefone ou pessoalmente, na sede do conselho. Em Sinop o número do Conselho é (66) 3531-4722.

– CREAS / CRAS: os Centros de Referência da Assistência Social oferecem o atendimento de média complexidade, que inclui o atendimento psicossocial a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

– Ministério Público: Responsável pela fiscalização do cumprimento da lei. Todo Estado conta com um Centro de Apoio Operacional (CAO). Em Mato Grosso o contato do CAO é pelo telefone (65) 3611-2664 Ramal 3027.

 

Protegendo as crianças

As dicas a seguir são apresentadas pela ONG Childhood Brasil, criada para proteção da infância e da adolescência.

– Partes íntimas: É importante que as crianças aprendam a nomear corretamente as partes do corpo e saibam identificar o que é íntimo, assim ela pode relatar aos pais quando algo fora do comum acontecer. Explique que ninguém pode tocar nessas regiões e nem vê-las, apenas os pais quando forem dar banho ou trocar de roupa.

– Limites do corpo: Converse com a criança sobre permissão. Ensine que ninguém pode tocar as suas partes íntimas, nem ela não pode tocar nas partes íntimas de nenhuma pessoa, seja ela conhecida ou desconhecida. Alerte a criança para possíveis estratégias usadas por abusadores, como trocar carícias por doces, apresentar um “cachorrinho” e assim por diante.

– Incentive seu filho a conversar com você: Muitas vezes, os abusadores pedem às crianças para manterem o ocorrido em segredo, seja ameaçando ela ou de maneiras lúdicas. Por isso, ensine que segredos não são coisas boas e que ele sempre pode e deve contar a você tudo o que acontece. A criança NUNCA deve ser punida, criticada ou castigada por contar qualquer coisa sobre o seu corpo.

– Saiba o que ele está fazendo: Muitos dos casos de abuso infantil acontecem quando uma criança passa horas sozinha com um adulto, que pode ser um membro da família ou um conhecido. Por isso, saiba o que seu filho está fazendo mesmo quando você não estiver.

– Identifique os possíveis sinais de um abuso: Não é fácil notar sinais físicos de um abuso sexual, mas é possível que a criança tenha alterações no seu comportamento, como: irritação, ansiedade, dores de cabeça, alterações gastrointestinais frequentes, rebeldia, raiva, introspecção ou depressão, problemas escolares, pesadelos constantes, xixi na cama e presença de comportamentos regressivos (por exemplo, voltar a chupar o dedo). Outro sinal de alerta é quando a criança passa a falar abertamente sobre sexo, de forma não-natural para a sua idade, física e mental.

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