A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (1º) o conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Waldir Teis. Na terça-feira, o Ministério Público Federal denunciou o conselheiro por dificultar o trabalho de investigação da polícia civil, durante a 16ª fase da Operação Ararath. Segundo o MPF, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no seu escritório, o conselheiro notou que os policiais se concentravam em uma segunda sala, e recolheu uma série de talões de cheques com cifras milionárias e outras folhas assinadas mas sem preenchimento do valor, que estavam em sala ainda não analisada pelas autoridades.
Ele foi flagrado e o material que havia sido jogado numa lixeira foi recolhido.
A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), órgão ao qual o MPF remeteu a denúncia contra o conselheiro.
O advogado do Waldir Teis afirmou que ele se apresentou à polícia e que estuda medidas para a liberação dele.
A prisão, segundo o advogado, foi determinada com base na denúncia do MPF de que ele tentou esconder documentos da polícia durante a 16ª fase da Operação Ararath, que foi batizada de Operação Gerion.
O advogado informou que, de fato, ele tentou esconder os cheques e que a atitude foi impensada. "Havia justificativas para aqueles cheques e já foram explicados à Polícia Federal. Ele queria mesmo é preservar seus familiares que estavam sofrendo por conta de todas as acusações e seu afastamento do TCE", afirmou.
O STJ autorizou a quebra de sigilo bancário de várias empresas; o levantamento e utilização de dados de inteligência financeira de pessoas físicas e jurídicas; o afastamento do sigilo telefônico/telemático de alguns investigados, e busca e apreensão a ser realizada em locais ligados a pessoas investigadas, além do compartilhamento de dados com a Receita Federal do Brasil.
A Operação Ararath investiga, desde 2013, a prática de crimes de corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa por conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.
Afastados das funções
Waldir Teis e outros quatro conselheiros do TCE-MT, Antonio Joaquim, José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo e Valter Albano, estão afastados das funções desde 2017, após delação do ex-governador Silval Barbosa que detalhou suposto pagamento de propina aos membros da Corte.
De acordo com Silval Barbosa, os conselheiros exigiram propina para não prejudicarem o andamento das obras da Copa do Mundo, no estado. Ele disse ter pago R$ 53 milhões.