A notícia de que as escolas do município de Sinop retomam, gradualmente, as aulas a partir do dia 18 de maio, causou furor na sessão da Câmara de vereadores dessa segunda-feira (4). Discursos inflamados consideram o ato da secretaria municipal de Educação irresponsável e houve coro para que os pais mantenham seus filhos em casa.
Quem levantou o assunto foi o vereador Tony Lennon (Podemos). Ele usou a neta como exemplo, dizendo que no primeiro contato que teve com a escola após a quarentena, ela tratou de abraçar a professora e os colegas, interagindo com eles. “Não tem como garantir que a criança vai ficar com a máscara e ter os cuidados necessários. O Coronavírus é um inimigo invisível”, discursou.
Tony afirmou que seria suicídio, nesse momento, mandar as crianças para a escola e indagou se existe uma estrutura para atendimento pediátrico capaz de suportar um surto coletivo da doença entre crianças. “Não deixe que a morte tente educar seu filho. Não mande seu filho para escola. Você vai estar assassinando ele”, discursou em tom alarmista.
A fala de Adenilson Rocha (PSDB), teve o mesmo teor. O vereador considerou a decisão de abrir somente as escolas particulares primeiro é um tentativa da Secretaria de Educação de utilizar a rede privada como “cobaia”. Na sua visão, nem mesmo nas escolas privadas existe estrutura suficiente para garantir a prevenção das crianças, tampouco equipes suficientes para fazer a fiscalização. “Aqui [na Câmara] a maioria é pai. Nós somos os heróis deles. Eles [os filhos] são o que temos de mais sagrado. Nós vamos, por vaidades, por discursos políticos, por projetos de pessoas, colocá-los em perigo? Meus filhos não vão!”, declarou Rocha.
Billy Dal’Bosco (DEM), considerou o decreto que prevê o retorno gradativo das aulas um “absurdo”. O vereador declarou que a secretária de educação, Veridiana Paganotti, deveria vir à tribuna explicar qual é a diferença dos alunos de escola pública e da privada. “Se for para voltar, devem voltar todos. Se houver um surto, estamos preparados?”, indagou Dal’Bosco. Para ele, a decisão foi resultado de uma pressão política, dos setores envolvidos, sobre a prefeita Rosana Martinelli (PL). “[O decreto] foi um ato de irresponsabilidade. Gestor público tem que ter opinião. Não pode ficar ouvindo aqui ou acolá. Não podemos brincar com a saúde do povo”, completou.
O vereador Dilmair Calegarro (PSDB), afirmou que a Câmara irá revogar o decreto – algo que não foi colocado em pauta.
A vereadora Branca (PL), e o vereador Joacir Testa (PSDB), que integram a comissão, tentaram defender o posicionamento da secretaria de Educação. Ambos compõem a comissão de educação da Câmara. Suas falas são no sentido de que o retorno será gradativo e que o escalonamento não teve intenção de tornar “cobaias” os alunos da rede privada.
O decreto do retorno
O último decreto editado pela gestão municipal, no último sábado (2), estabelece que a partir dessa segunda-feira (4), as instituições privadas de ensino teriam a permissão para retomar as aulas, de forma gradual. A decisão vale tanto para faculdades como escolas. Esses estabelecimentos devem retornar com 50% da capacidade na primeira semana, 70% na segunda semana e 100% na terceira semana. O retorno não é obrigatório. Cada instituição/empresa deve decidir se está apta ou não – e se a comunidade escolar tem interesse no retorno.
O mesmo decreto diz que as aulas na rede municipal voltarão nesta segunda-feira (4), através de dispositivos on-line. Cada professor ou unidade escolar deve escolher a plataforma digital que irá utilizar para ministrar as aulas à sua classe. A partir do dia 18 de maio, as aulas da rede municipal voltarão a ser presenciais – de forma gradual, seguindo o calendário abaixo.
Nas escolas do Estado, as aulas estão suspensas até o dia 30 de maio.
Calendário invertido
O calendário definido pela secretaria de educação de Sinop para o retorno das aulas começam pelos alunos mais jovens – e portanto com menor cognição para compreender a necessidade dos cuidados e prevenção do Coronavírus.
No ensino fundamental (crianças de 6 à 11 anos), o calendário começa com o retorno às aulas no dia 18 de maio para os alunos do 1º ano do ensino fundamental. No dia 20 de maio – dois dias depois, serão as turmas de 2º e 3º ano. No dia 25 de maio, voltam as turmas de 4º ano. E, no dia 27 de maio, as turmas de 5º e 6º ano.
Na educação infantil (creches), a secretaria manteve a ordem oposta: os mais velhos primeiro. No dia 18 de maio volta os alunos do Pré-fase 1 e 2 (crianças de 4 e 5 anos). No dia 25 de maio, as turmas de creche 3 e 4 (crianças de 2 à 4 anos). No dia 1º de junho, retornam os alunos das turmas de creche 1 e 2 (menores de 3 anos). Por fim, no dia 8 de junho voltam as turmas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e de Alunos Especiais