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Conta sem luz

Atraso no início das operações da Usina força acionistas a injetarem R$ 619 milhões

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Atraso no início das operações da Usina força acionistas a injetarem R$ 619 milhões
? Foto: Foto: Assessoria

O atraso de quase um ano no cronograma para início da geração de energia na UHE Sinop (Usina Hidrelétrica de Sinop), vai custar para os acionistas R$ 800 milhões a mais do que o previsto. O início das operações estava programado para janeiro de 2019, mas acabou sendo adiado em função da não liberação da Licença de Operação. O aval ambiental, que precisa ser expedido pela Sema, foi solicitado pela UHE Sinop em janeiro de 2018.

Pela segunda vez os diretores da Usina prorrogaram o cronograma para início da geração de energia. Em janeiro desse ano, a previsão foi estendida para o mês de maio. Para cobrir a alteração no cronograma, a UHE Sinop chamou seus acionistas para fazer um aporte financeiro. Foram emitidos R$ 181 milhões em debêntures – dinheiro injetado no empreendimento para cobrir os custos até o início da geração de energia.

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Em maio desse ano, sem a previsão da licença de operação, a UHE voltou a rever seu cronograma. Dessa vez, os diretores fixaram como data limite para o início das operações o dia 1º de dezembro de 2019. Junto com o novo prazo veio o planejamento financeiro para cobrir esses custos.

O GC Notícias já havia noticiado a alteração no cronograma, porém, sem a informação de quanto isso impactaria aos acionistas. Hoje, a UHE Sinop publicou em diário oficial a ata da última assembleia com acionistas, convocada para discutir o aporte financeiro até o início das operações. Dessa vez, a conta por não ter energia, veio mais cara.

A assembleia determinou uma nova injeção de recursos, através da emissão de debentures, na ordem de R$ 619 milhões. Essa é a projeção das despesas que o empreendimento deve ter até o início da geração de energia. O aporte foi fracionado em 7 parcelas mensais, de diferentes valores.

A mais densa foi justamente a parcela depositada pelos acionistas no dia 5 de julho. Foram R$ 164 milhões. Antes disso, os sócios-proprietários já haviam transmitido para conta da UHE Sinop R$ 46 milhões em maio e R$ 90 milhões em junho. A conta do atraso continua a ser paga em agosto, com uma parcela de R$ 100 milhões, mais R$ 90 milhões em setembro, R$ 80 milhões em outubro e R$ 45 milhões em novembro.

Somando o primeiro aporte financeiro com o segundo, a “vaquinha” de acionistas para cobrir o atraso da usina chega a R$ 800 milhões – o que corresponde a 44,4% do valor inicial estimado para o empreendimento, que era de R$ 1,8 bilhão. Como contrapartida, os acionistas terão um acréscimo no valor nominal de suas debêntures na ordem de 0,1%.

 

A usina

Distante 70 quilômetros da cidade de Sinop, com acesso pela BR-163 e estradas vicinais, a Usina Hidrelétrica Sinop construída no rio Teles Pires, tem sua barragem situada nos municípios de Cláudia (margem direita do rio) e Itaúba (margem esquerda). O reservatório formado em abril desse ano abrange os municípios de Cláudia, Itaúba, Ipiranga do Norte, Sinop e Sorriso, em um total de 34 mil hectares de lâmina d’água. Com investimentos de cerca de R$ 3,2 bilhões, a usina tem uma Casa de Força com duas turbinas/geradores com potência instalada de 408 megawatts (MW). A geração de energia elétrica pela UHE Sinop atenderá o consumo de 1,6 milhão de pessoas, equivalente a 50% da população do Estado do Mato Grosso. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), autorizou, em junho desse ano, o início das operações na fase de testes.

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