A tendência de redução de subsídios ao crédito rural no Brasil, por enquanto, vai esperar. O governo de Jair Bolsonaro (PSL), deve manter os parâmetros de financiamento agrícola do Plano Safra 2020-2021, sem muitos avanços, mas também sem cortes. A posição foi externada pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em Sinop, na tarde desta terça-feira (16). A ministra esteve no município para acompanhar a Norte Show, uma feira de negócios dirigida ao setor produtivo. Tereza palestrou sobre o futuro do agronegócio em Mato Grosso e no Brasil.
Tanto à imprensa quanto ao público geral, a ministra começou sua fala pelo financiamento agrícola, selando a dúvida que pousa sobre o atual governo. Com uma postura mais liberal e um déficit na ordem de R$ 139 bilhões no orçamento nacional, os subsídios para a agricultura poderiam ser um dos alvos de corte da engenharia financeira proposta por Paulo Guedes.
Mas segundo Tereza Cristina, a navalha não recairá sobre o setor produtivo. A ministra declarou que tem se reunido constantemente com a equipe econômica para discutir o plano safra, que será lançado no dia 1º de junho. “As coisas não vão mudar muito. Pode não melhorar o que a gente queria, mas piorar não vai não”, discursou.
Conforme a ministra a base de crédito aumentou no último ano, demonstrando o crescimento do setor produtivo e, com a mesma força, a necessidade de mais crédito. Para o Plano Safra atual (2018-2019), lançado em junho do ano passado, o governo federal liberou R$ 194,3 bilhões para financiamento dos médios e grandes produtores rurais e R$ 31 bilhões para agricultura familiar, através do Pronaf.
Até março desse ano, o setor produtivo tomou R$ 129 bilhões – 57% do crédito disponível. O montante é 8% maior do que na safra anterior. Do total tomado, R$ 110 bilhões correspondem ao financiamento rural para o setor empresarial (Plano Safra). Os demais R$ 18,8 bilhões se referem à agricultura familiar.
Segundo a ministra, ainda não há uma definição referente aos valores disponibilizados ou os juros que serão praticados. “O Plano Safra será lançado em junho. Então ainda temos um tempo”, frisou.
Na prática, o governo federal aporta recursos junto as instituições de crédito afim de baratear os juros de financiamentos para o setor produtivo. Para o Plano Safra vigente já foram aportados R$ 10 bilhões para correção dos juros, que oscilam de 7% ao ano para custeio de safra de grandes produtores até 5,25% para linhas de crédito destinadas a financiamento.
Para o futuro
Tereza Cristina pediu um pouco de calma para o setor produtivo. “O governo só tem 100 dias”, comentou. Para o futuro, a ministra almeja formatar um Plano Safra que seja Plurianual, que defina parâmetro para os próximos 5 anos, quando volta a ser reafirmado.
Para a ministra, essa seria uma forma de dar mais previsibilidade ao agronegócio e deixar o setor mais tranquilo.