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Sinop

Polícia prende 3 pessoas por derrubar árvores no local onde será o lago da usina

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Polícia prende 3 pessoas por derrubar árvores no local onde será o lago da usina
? Foto: Foto: Divulgação

A Polícia Ambiental prendeu e autuou, em flagrante, 3 pessoas na manhã desta sexta-feira (1). O crime? Desmate na área que, em breve, será o lago da Usina Hidrelétrica de Sinop. A ocorrência foi registrada por volta das 9h da manhã. A polícia ambiental foi provocada a agir pela Sinop Energia – empresa que detém a concessão para implantação de UHE Sinop e, consequentemente, responsável pela área do lago.

Chegando no local, as autoridades constataram o crime ambiental. Utilizando uma pá carregadeira, um trator e uma motosserra, 3 trabalhadores estavam fazendo a remoção de algumas árvores na área que foi demarcada e que em breve será alagada pela Usina. Eles foram contratados pelo dono de um condomínio que fica às margens do Rio Teles Pires, próximo da Fazenda Missioneira, há 57 km de Sinop. “Chegando ao local constatamos um desmate em uma área de preservação permanente, com derrubada de árvores sendo feita utilizando motosserra. As pessoas envolvidas com o crime ambiental foram detidas e os equipamentos apreendidos”, explicou o sargento da Polícia Ambiental, José Augusto Ojeda.

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Um dos 3 trabalhadores que foram detidos é Gilnei Dakros. Segundo ele, a polícia chegou acompanhada do pessoal da Usina. Depois da voz de prisão, eles foram conduzidos pacificamente para a delegacia de polícia e, depois, para o escritório da UHE Sinop – onde estavam até a metade da tarde.

Segundo o sargento da PM Ambiental, as partes envolvidas foram conduzidas até o escritório da UHE Sinop somente para que fosse lavrado o auto de infração. “Só para usar o computador”, disse sgt. Ojeda. “Depois eles serão conduzidos para delegacia”, completou.

O GC Notícias também conversou com o dono do condomínio, Fernando de Melo Moura. Ele disse que contratou o pessoal para fazer a remoção dessas árvores afim de garantir a segurança das pessoas que vão utilizar o rio. “Nesse condomínio são 80 lotes. O que eu fiz foi limpar 20 metros para cada lado da estrada, para que esses ‘paus’ amanhã depois não caiam na cabeça de quem for chegar de barco. Eu estou pagando para fazer o que a usina deveria ter feito”, criticou Fernando. Para ele, ser multado por derrubar uma árvore que irá morrer porque vai ficar debaixo da água é algo inadmissível. “Quando as pessoas começarem a se machucar e morrer com essas árvores podres caindo em quem estiver de barco, será que a Polícia Ambiental vai aparecer?”, indagou o empresário.

Moura disse que apenas 5 árvores foram cortadas e seriam arrastadas, afim de limpar o acesso pelo rio até a entrada principal do condomínio de lazer.

A Polícia não informou o valor da multa. Os maquinários foram devolvidos para os proprietários e a motosserra ficou apreendida.

 

Não pode derrubar na área do lago

É muito provável que outros donos de imóveis próximos ao lago da usina se sintam tentados a “limpar” o espaço em frente a sua propriedade que ficará debaixo d’água. No entanto, qualquer intervenção nesse momento é ilegal.

O alerta é do gerente de Meio Ambiente da UHE Sinop, André Vasques. “Qualquer supressão está sujeita a regulação do órgão ambiental. Você não pode cortar uma árvore que você plantou, dentro do seu terreno, sem uma autorização”, lembra Vasques.

O mesmo vale para área que será alagada. Toda terra que em breve vai ficar debaixo d’água – e mais 100 metros a partir da margem – pertence a União (Governo Federal), sendo que a obrigação de zelo, por enquanto, é da UHE Sinop. Remover qualquer vegetação, nessa fase, é o mesmo que entrar em um parque de preservação nacional e começar a derrubar as árvores. “A supressão autorizada pelo órgão ambiental já foi feita. Qualquer derrubada a partir de agora precisa de licenciamento. Cortar árvores sem o devido licenciamento ambiental, ainda que seja na área que vai ser alagada, é crime ambiental”, explicou o gerente da UHE Sinop.

Para Vasques, no futuro, quando o lago estiver formado, os acessos ao rio serão assegurados. A regra, por enquanto, é que qualquer remoção de vegetação, mesmo na área que será alagada, configura crime ambiental.

Foto Flagrante