O delegado da polícia civil de Sinop, Carlos Eduardo Muniz, solicitou o processo de reconstituição da cena do crime registrado no dia 24 de fevereiro, quando um homem acabou sendo morto com um tiro na cabeça, através de um disparo feito por um policial militar que estava de folga. Muniz retornou das suas férias na última quinta-feira (28), reassumindo sua função de chefe da divisão de homicídios. Ele é o delegado que conduzirá as investigações do caso.
O oficio solicitando a reconstituição foi expedido para a perícia técnica ainda na sexta-feira (1). Segundo o delegado, o procedimento deverá ser feito ainda esta semana, dentro das limitações de tempo e estrutura da Perícia Técnica. “A reconstituição poderá ser acompanhada pela imprensa e será uma forma de visualizar, com mais clareza, o que ocorreu”, pontuou o delegado.
Edmilson Martins de Lima, 37 anos, foi morto com um tiro no rosto na madrugada de domingo, 24 de fevereiro, no centro da cidade. Ele possuía uma pequena empresa na cidade de Maringá e estava em Sinop fazendo negócios. Edmilson e o policial militar, soldado Jhonatan Ulysses, 28 anos, tiveram um desentendimento de trânsito que evoluiu para as vias de fato e o disparo feito com a arma do PM que estava de folga. O delegado de plantão, que fez os primeiros atos do inquérito, Ugo Mendonça, tratou o caso como “legítima defesa”, por parte do policial.
Cadê as imagens?
O crime ocorreu no pátio de um posto de gasolina no centro da cidade. Nele existem 6 câmeras de monitoramento e pelo menos 2 registraram o ocorrido. Desde o dia 25 de fevereiro o GC Notícias tem buscado ter acesso a essas imagens.
Nossa reportagem conversou com a gerente e com uma sócia-proprietária do posto. Ambas se negaram a fornecer as imagens. Em uma das tentativas, a sócia-proprietária informou que foi proibida pela polícia de fornecer as imagens.
Na coletiva concedida no dia 15 de fevereiro, o delegado Ugo Mendonça confirmou que pediu para que a empresa preservasse as imagens. “Elas são da polícia agora, fazem parte da investigação”, afirmou.
Mendonça disse que a disponibilidade dessas imagens para divulgação ficariam a cargo do delegado titular do núcleo de homicídios, no caso o delegado Carlos Eduardo Muniz. O GC Notícias então solicitou as imagens para o titular. O delegado respondeu: “ainda não é o momento”.
Muniz disse que primeiro quer avançar com as investigações e evitar que sejam gerados alardes. “A situação gerou muita repercussão. O colega (Ugo Mendonça) entendeu que seria mais prudente deixar todas as provas levantadas para não gerar nenhuma dúvida. Questão de princípio investigativo”, comentou Carlos Eduardo Muniz sobre a retenção das imagens pela polícia.
Para que as imagens sejam tratadas como “provas confidenciais”, que portanto não seriam de acesso público, o delegado teria que decretar o sigilo das investigações – o que não ocorreu.