Os pedidos de refúgio na Polícia Federal estão demorando até três meses para serem expedidos, segundo os imigrantes, e isso tem prejudicado a emissão da carteira de trabalho que os venezuelanos que chegaram, em Cuiabá, precisam para buscar um trabalho formal.
No ano passado, a Pastoral do Migrante de Cuiabá, atendeu 385 venezuelanos. Desse total, apenas 164 foram encaminhados pelo projeto de interiorização criado pelo governo federal, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Governo Federal.
A maioria buscou refúgio no Brasil por contra própria.
Um dos exemplos da dificuldade em conseguir uma vaga de emprego formal é Ramires Lopez, que trabalhava em um supermercado na Venezuela, mas está desempregado desde que chegou em Mato Grosso, pois conseguiu emitir o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
“Não consigo arrumar um emprego. Sem documentos não posso trabalhar”, comentou.
A alternativa para Pedro Urbano foi pedir dinheiro na rua, pois ainda não encontrou um trabalho formal.
“Ainda estou no processo de documentação. Para tirar a carteira de trabalho preciso do pedido de refúgio, que está demorando três meses”, explicou.
A Pastoral do Migrante realiza um trabalho de ajuda aos venezuelanos para que consigam todos os documentos necessários. No entanto, a agenda para atendê-los já está fechada até abril, segundo a coordenadora, Eliana Vitalino.
Dentro da pastoral, uma auditora fiscal do Ministério do Trabalho realiza o encaminhamento dos imigrantes para empregos formais, porém, é necessário ter a documentação completa.
Dados da Polícia Federal apontam que 133 venezuelanos tiveram os documentos regularizados no estado em 2018. Destes, 63 em Cuiabá.