Dentro de um mês, no dia 20 de julho de 2018, fará um ano da morte de Paulo Henrique Vasconcelos Pavarim, de 33 anos. Ele pilotava uma motocicleta, na BR-163 em Sinop, próximo a interseção com a Avenida dos Jatobás, quando colidiu contra uma carreta bitrem, que vinha no sentido contrário. Com a batida, Paulo foi arremessado na pista e sua moto explodiu, incendiando a frente do caminhão. O óbito foi instantâneo.
Quase um ano depois, a família de Paulo ainda aguarda por respostas. Maria Regiane dos Santos, viúva de Paulo, procurou o GC Notícias com medo que o caso caia no esquecimento e que a morte do seu companheiro com quem viveu 14 anos e teve 3 filhos vire uma simples estatística.
O temor de Maria é que pessoas estejam fazendo força para obstruir o trabalho da polícia. “Não é justo que o dinheiro compre a impunidade. Mês que vem faz um ano que estou sem meu príncipe e meus filhos sem seu pai”, declarou a viúva.
Maria não acredita que tenha sido apenas um acidente de trânsito em que seu marido perdeu o controle da moto. A viúva sustenta que houve um terceiro veículo envolvido, determinante para fazer Paulo perder o controle da moto e colidir contra a carreta. Além de um vídeo de uma câmera de segurança de uma empresa próxima ao acidente, conseguido pela família, a viúva sustenta sua tese com as declarações do motorista do caminhão e de uma testemunha, nos depoimentos colhidos pela polícia civil.
Maria mostrou ao GC Notícias o interrogatório da Polícia contra Moacir Comin, motorista do caminhão envolvido no acidente. Ele narra que quando se aproximada do local da colisão reduziu a velocidade há uns 40km/h, “pois percebeu uma camionete Hillux tentando lhe ultrapassar; mesmo sendo um local impróprio para ultrapassagem, ele reduziu mais ainda a velocidade para que a camionete passasse”, e que não jogou o caminhão para direita, pois sairia da pista. Moacir diz em seu depoimento que a camionete passou sobre os redutores de velocidade, que marcam a entrada da rotatória. Logo em seguida houve o acidente. O motorista do caminhão narra que a Hillux fez a volta depois da colisão e que o condutor que desceu da camionete e disse: “o motoqueiro esbarrou em minha camionete”.
O mesmo fato foi narrado por Claudemir Oliveira Silva, que passava próximo ao local no momento do acidente. Ele disse que um senhor parou a camionete Hillux e disse “acho que um motoqueiro me bateu”. Nesse momento não era possível ver o corpo ou a moto, que estava embaixo do rodado do caminhão, entre as chamas.
O senhor em questão é o pastor Reginaldo Martins, proprietário e condutor da Hillux. A época ele concedeu uma entrevista ao GC Notícias negando o envolvimento no acidente, dizendo apenas que estava logo a frente do caminhão, quando viu pelo retrovisor a explosão. Reginaldo disse que deu a volta e parou no local por alguns instantes.
Para a viúva, o pastor é peça fundamental para elucidação do acidente. Sua principal crítica quanto a atuação policial é que Reginaldo ainda não foi intimado para depor e que sua caminhoneta não foi periciada. “Eu acredito que a Hillux invadiu a pista, bateu de raspão na moto do meu marido e fez ele perder o controle”, afirma a viúva.
O GC Notícias entrou em contato com o delegado Carlos Eduardo, que conduz o inquérito. Segundo ele, falta pouco para concluir o inquérito. “As perícias necessárias já foram realizadas, as oitivas também. Falta só o fechamento de alguns documentos que solicitamos. Inclusive, os elementos necessários para se definir como deu o acidente já estão fechados”, afirmou o delegado.
Carlos Eduardo disse que o veículo do pastor foi sim encaminhado para perícia e que tal documento integra o inquérito.
O que Maria espera é uma resposta definitiva para o caso, afim de que sinta que a justiça foi feita. “Ele trabalhou 5 anos em uma empresa de segurança dirigindo uma moto com carretinha. Tinha experiência e fazia esse mesmo trecho todo dia. Para mim é impossível acreditar que ele simplesmente perdeu o controle da moto, assim, do nada. O que eu e meus 3 filhos esperam é que a polícia nos dê a resposta definitiva do que aconteceu e que puna os responsáveis, sejam quem for”, conclui a viúva.