Não sei como vai ser minha vida daqui pra frente”, diz com lágrima nos olhos a dona de casa Geziane Buriola da Silva, de 31 anos, que teve as mãos decepadas pelo marido, há um mês, e está internada na enfermaria do Hospital Municipal São Benedito, em Cuiabá, sem previsão de alta. O marido dela, o operador de máquinas Jair da Costa, que tem a mesma idade dela, foi preso depois do crime, ocorrido no dia 10 de abril, em Campo Novo do Parecis, a 470 km de Sinop.
Mesmo na prisão, ele ainda “assombra” a vítima, que, no leito do hospital, disse sentir medo do que ele pode fazer quando for solto.
“Tenho medo. Tenho medo de ele me bater quando sair da cadeia”, revela.
Além de causar a sensação de insegurança constante, Jair a forçou a se adaptar a viver para o resto da vida sem as mãos e todas as dificuldades que isso traz.
Geziane ainda sente dores pelo corpo. Além das mãos, os golpes de facão acertaram o rosto, ombro, barriga e cabeça. Ela saiu do coma induzido e teve alta da Unidade de Terapia Intensiva na semana passada, depois de mais de 20 dias, e fala com dificuldade por causa de uma traqueostomia.
Mãe de dois meninos de 5 e 10 anos de idade, ambos do primeiro casamento, Geziane estava com Jair havia um ano e meio. Nesse período, ela foi vítima de agressões por várias vezes. Em uma delas, ficou com o olho roxo. Chegou a procurar a polícia em duas ocasiões para denunciá-lo. Nos dois casos, porém, a jovem retirou a queixa. “Não sei por que fiz isso”, diz.
Na data em que brigaram pela última vez, Geziane e Jair tinham passado o dia bebendo. À noite, iniciaram uma discussão. “Nem lembro o porquê”, diz a mulher. O operador de máquinas pegou um facão e correu atrás dela, que tinha fugido para a rua. Ele a acertou no rosto e, ao tentar se defender, a jovem teve uma das mãos decepadas. O marido não parou. Acertou-lhe outros golpes, sendo que um deles praticamente cortou a outra mão – que acabou amputada num hospital.
O crime brutal só cessou quando vizinhos interviram e passaram também a agredir Jair.
Na tentativa de se justificar, o operador de máquinas alegou que havia visto a mulher com outro dentro de casa. A versão foi desmentida pela polícia.