A secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso renovou por mais 12 meses o contrato 109/2014, firmado com a empresa W.R. Araújo e Cia Ltda-ME, responsável pelo fornecimento da alimentação no centro Socioeducativo de Sinop, onde ficam detidos os menores infratores. O contrato foi estendido até dezembro de 2016, para a preparação e fornecimento de alimentação para os adolescentes em conflito e os servidores lotados na unidade. Para isso a empresa recebe R$ 218 mil por ano – pouco mais de R$ 18 mil por mês.
O centro de ressocialização tem capacidade para alojar 12 menores infratores. Nesta quinta-feira (3), 16 menores estavam detidos na unidade. Não há diferença entre a alimentação servida aos menores e aos agentes socioeducativos.
A W.R Araújo & Cia Ltda, mais conhecida como Cozinha Brasileira, também é contratada pelo Estado para fornecer alimentação ao detentos e funcionários do Presídio Ferrugem. Ao longo do ano o Estado fez 2 notificações a cerca da qualidade da alimentação servida na unidade prisional. Segundo o coordenador de serviços de alimentação da secretaria, Riad Fares, a empresa vem descumprindo com várias cláusulas do contrato firmado com o Estado.
A primeira notificação foi em março de 2015 e a segunda em julho, pelo departamento de aquisições e contratos. Na última, a secretaria de Justiça apontou a má qualidade da alimentação servida e a não instalação do refeitório para os servidores do presídio.
A W.R Araújo & Cia é uma empresa de Tangará da Serra. Em Sinop funciona no mesmo endereço da empresa Hotel e Restaurante Londres Ltda, responsável pelo serviço de alimentação no Ferrugem até 2013.
O contrato com o Estado para o presídio de Sinop tem o valor de R$ 4,1 milhões por ano. Valor que corresponde ao fornecimento de 3 refeições por dia para 780 presos, mais os agentes carcerários que trabalham na unidade. Isso significa que a empresa recebe mais de R$ 11 mil por dia para alimentar os presos.
Mesmo com as irregularidades registradas, o Estado decidiu manter o contrato por mais um ano.