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Sinop

Vândalos roubam peças da estação de monitoramento

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O prejuízo financeiro foi pequeno, mas a perda científica é irreparável. Vândalos que roubaram peças da estação de monitoramento de chuvas e das águas subterrâneas de Sinop comprometeram os resultados da pesquisa que vinha sendo realizada desde 2010. Eles levaram um painel solar pequeno que abastecia com energia os equipamentos e uma bateria. Com isso houve a perda de 6 meses de informações coletadas pela estação de monitoramento. “O prejuízo financeiro não dá R$ 200,00. O problema é que esse ato de vandalismo compromete toda a pesquisa que vinha sendo feita. Teremos um intervalo de 6 meses sem nenhuma informação desse campo de estudo”, comentou o técnico do Serviço Geológico Brasileiro, que estava na manhã de hoje, sexta-feira (2), tentando reabilitar o sistema.

A estação foi implementada pelo Ministério de Minas e Energia no ano de 2010 e é monitorada pelo Serviço Geológico Brasileiro. A estrutura é composta por um poço com 50 metros de profundidade e uma estação climatológica. Cruzando as informações do clima com a variação do volume de água no poço é possível estudar o comportamento do aquífero Ronuro, um dos integrantes da bacia do Parecis, que está embaixo da cidade de Sinop e que abastece todo o município.

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Os técnicos instalaram um novo painel solar e uma bateria – equipamentos que agora receberam também uma tranca. O local está sendo cercado, mais como forma de demarcação. A estação fica dentro da área de reserva permanente R-3, mais especificamente no cruzamento da Avenida dos Flamboyants com Avenida das Itaúbas. Por coincidência, é este o local que a prefeitura apontou para a reconstrução do Prédio Histórico do Colonial.

 

Importância

O monitoramento das águas tem como principal função gerar informações sobre o comportamento do aquífero, que integra uma das maiores reservas de água potável do mundo. A água do poço é coletada em um intervalo de 5 anos. Anualmente é feita uma análise superficial, que observa apenas a característica físico-química da água, que garante que o poço de monitoramento está funcionando perfeitamente.

Para o geólogo Márcio Abreu é necessário um intervalo de 10 anos de pesquisa para que dados coletados apontem qualquer anormalidade nas águas subterrâneas de Sinop, indicando, por exemplo, a longevidade dessa reserva. Toda a cidade é abastecida pela água do subsolo. “As informações poderão ser utilizadas para promover a gestão adequada desses recursos. É algo ainda difícil de se pensar nessa região, onde a água é abundante. Mas dentro de pouco tempo esse deve ser um assunto recorrente entre a população e os gestores públicos”, estima Abreu.

Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil, o aquífero Ronuro possui mais de 6 mil poços perfurados, o que leva em conta apenas as perfurações “legalizadas” pelos órgãos ambientais. Em Sinop existem muitos poços sem outorga do uso de água. Estes não contam no registro.

Contando apenas os poços “legais”, as perfurações tem uma vazão que varia entre 1 e 105 metros cúbicos por hora, sendo a média de 10,42 m3/h. Ou seja, todos os dias são arrancados do Ronuro 1,5 bilhão de litros de água. O maior volume de poços está em Sinop.

Foto Flagrante