O descontentamento com os valores das faturas de energia elétrica reverberaram na Câmara de Sinop. Na sessão desta segunda-feira (02), os vereadores aprovaram um requerimento convidando o gerente Regional da Energisa/Sinop, Rodrigo Fiod Vieira, para que venha até a tribuna da casa de leis explicar a razão da diferença exorbitante de valores.
Praticamente todos os vereadores tem sido interpelados por cidadãos de posse das suas faturas de energia. Não são incomuns registros com mais de 100% de aumento em um intervalo de 2 meses. “São muitas reclamações nas contas. Queremos que o gerente da Energisa venha a público responder estas indagações. Embora haja um aumento nacional no custo da energia, esses valores que estão sendo praticados em Sinop não são claros”, justificou o vereador Fernando Assunção (PSDB), autor do requerimento.
O vereador Ticola (PMDB), pediu para que, além da presença na sessão, o gerente atenda os vereadores em uma reunião separada, afim de sanar todas as dúvidas. Fernando Brandão (SD), sugeriu ainda a extensão do convite para o diretor do Procon, Cristiano Peixoto, afim de subsidiar o debate.
O presidente da Câmara, Mauro Garcia (PMDB), explicou que, diferente dos requerimentos direcionados ao poder executivo municipal, este não tem poder de convocação. “É apenas um convite que a Câmara faz e cabe do bom senso da empresa que presta este serviço atender ou não”, ressaltou Mauro.
Desde que assumiu a concessão do fornecimento de energia no Estado, há pouco mais de 60 dias, a Energisa acumula 82 reclamações formais no Procon de Sinop.
Quanto aumentou?
Os reajustes oriundos do governo federal elevaram a tarifa de energia em 26,8% em Mato Grosso no mês de fevereiro. Em março houve uma redução de 2,2%, que sequer foi sentida.
A razão do aumento aplicado pelo governo federal reflete o custo da energia adquirida de fora. A energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu, que atende a todo o país, foi reajustada em quase 50% em 2015.
Além do reajuste na tarifa o governo autorizou, através da Aneel, a taxa extra das bandeiras tarifária, que permite a concessionária cobrar um valor a mais caso o preço de aquisição da energia esteja mais caro.
Em caso de bandeira vermelha, a mais alta, é cobrado nas contas de luz uma taxa extra de R$ 5,50 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) de energia usados.
Já no caso de bandeira amarela, que sinaliza que a produção de energia está um pouco mais cara, taxa extra aplicada é de R$ 2,50. A bandeira verde sinaliza que não há custo adicional para produção de eletricidade e, portanto, não é aplicada a taxa extra.
No caso específico de Sinop e Mato Grosso, a Energisa ainda promoveu o remapeamento, alterando o dia de leitura da fatura. Por isso, no último mês, ao invés de pagar por 27 dias de consumo, o usuário pagou por até 43 dias. Isso elevou o preço da fatura, mas não deve ser repetido no próximo mês, quando o intervalo volta a ser de 27 a 30 dias.