Bets, taco, bete-ombro ou tacobol. Cada região do país tem um nome diferente para a brincadeira de rua inspirada no cricket britânico, que era febre entre as crianças na década de 90. Divertido, desafiador e simples, assim como a maioria dos jogos infantis daquela geração, o bets exigia apenas dois pedaços de pau, duas latas de óleo e uma bolinha… e só 4 jogadores. Por mais adulta que fosse sua vizinhança, certamente haveriam outros 3 moleques para formar os times.
Em uma crise de nostalgia, típica para quem habita a casa dos 30, um grupo de amigos de Sinop decidiu relembrar as divertidas disputas. O que seria apenas uma brincadeira de adultos saudosistas acabou se transformando no 1º Campeonato Amador de Bets. “Nós estávamos relembrando os desenhos e brincadeiras da nossa infância e veio a ideia de nos reunirmos para jogar bets. Todo mundo curtiu. Meu primo já disse para chamarmos o pessoal da nossa infância, os vizinhos e montar times. Depois veio a ideia de criar um evento através do Facebook. E foi assim que surgiu o Campeonato Amador de Bets”, comenta Graciele Mantovani, que junto com seus irmãos organiza o evento.
Até a tarde de hoje, 1,3 mil usuários da rede haviam sido convidados e 78 confirmaram presença (o que já daria 39 times). Longe de ser uma “Liga”, o torneio terá estrutura de brincadeira de criança mesmo. Cada participante deve levar seus tacos, bolas e ‘casinha’ (que hoje já não serão latas de óleo). Regra esta que garantirá a clássica presença do moleque mais “apelão” da rua, que chegava para o jogo com um taco que mais parecia uma tábua de carne.
As disputas começam as 15horas desse domingo (10). A arena escolhida será o espaço público no entorno do Estádio Gigante do Norte. Não haverá cobrança nas inscrições e a premiação será simbólica. “O que a gente quer é resgatar essa brincadeira de infância e quem sabe estimular as crianças de hoje, cada vez mais presas à tecnologia”, comenta Graciele.
Os organizadores farão os registros das equipes e a divisão em chaves. As regras comuns serão explicadas na hora para os competidores. Tudo de forma muito amadora, para que a ideia de competir não se sobreponha a razão principal do evento: brincar na rua numa tarde de domingo.